A confusão de ser adulto e Empire Records

Cuidado, pode conter spoilers!

A primeira vez que assisti Empire Records foi quando ainda era criança. Passava na Record, depois Band, e ainda tinha o nome de Império dos Discos, em vez da terrível tradução do título que permanece até hoje, “Sexo, Rock e Confusão”. Naquela época eu adorava o fato de vários personagens existirem e terem sua parte do spotlight da história. Adorava o fato deles poderem colocar a música que quisessem pra tocar enquanto trabalhavam, de terem tanta variedade assim de sons, de serem todos amigos – ou inimigos – e da vida deles ter tanta coisa acontecendo. Naquela época, meu sonho era trabalhar numa loja de discos, porque eu tinha certeza que se isso acontecesse, eu teria um dia-a-dia tão interessante quanto o da personagem da Liv Tyler e da Renee Zellweger. 

Depois de uns anos, eu comecei a enxergar a complexidade de toda a história. Sabe, pra eles, aquilo tudo não era tão divertido assim: uma personagem era taxada de piranha só porque tinha uma vida sexual ativa, a outra tomava inibidor de fome porque achava que precisava emagrecer; o outro cara tinha um amor não correspondido pela colega de trabalho, e ainda tinha a Debra, que tinha tentado se matar um dia antes do que acontecia toda a história. O quão divertido pode ser isso?! 


vomo

Hoje, aos meus 24 anos, eu consigo achar tudo isso e ainda ter a percepção de que Empire Records é uma mistura louca de toda a confusão de ser adulto. Eu ainda acredito que deve ser demais trabalhar numa loja de discos, e uma das minhas grandes vontades na vida é ter uma pra chamar de minha. Mas o que mais me sobressalta é como todo mundo ali, sem excessões, está bem confuso sobre sua própria vida.

O personagem que hoje eu sei porquê gosto tanto é o Lucas (Rory Cochrane). O Lucas é o personagem cuja a vida tá numa boa e ele só tem uma responsabilidade básica, que é fechar a loja com segurança. Aí então aparece um problema que ele tem certeza que consegue resolver. Não consegue. Aí ele acha que consegue resolver o problema maior ainda que causou… Mas não consegue. Não consegue, e admite sua fraqueza – e que naquele tempo inteiro, ele não sabia é de nada. E é quando ele finalmente admite que não sabe de nada, que ele recebe ajuda, e finalmente consegue resolver o tal problema. 

né nom?

Não sei vocês, mas isso me parece o mais perto do que é a confusão de ser adulto, de achar que consegue, mesmo sem conseguir, e finalmente entender que precisa de ajuda, sim. Que a gente não vira adulto e entende tudo o que precisa fazer. Tudo o que é certo, errado, e que na real, na real mesmo, não existe muito disso nas nossas escolhas. É mais o que é bom, o que é ruim, e o que é indiferente – e a gente, pouco a pouco, aprende um pouco como isso funciona. Só um pouco. Porque ser adulto é perceber que até nossos pais estão perdidassos nessa coisa louca chamada vida. 

Eu acho que Empire Records tem camadas tão complexas sobre o que é a vida, que depois de mais de 20 anos assistindo e reassistindo esse filme, eu não cheguei a conclusão de todas elas. Mas hoje, aos meus 24 anos, essa é a que mais se parece com a minha vida hoje. Com o quão confusa é a vida, e com o quão difícil é chegar à decisão mais coerente. 

Encerro essa reflexão falando: se você nunca assistiu, não deixa 2016 acabar sem ter visto. Esse filme tá aí, desde 1995, esperando pra que você o veja. Vai! Tem na Netflix!!!

Comentários do Facebook

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *